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Sesi-SP recebe inscrições para festival de música

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A primeira edição do Festival Ars Brasilis SESI-SP está com inscrições abertas até 10 de outubro. O objetivo é promover o debate sobre o cenário musical e valorizar a criatividade e a sofisticação da música brasileira, tornando-se espaço de referência e visibilidade para os arranjadores instrumentais.

A cada edição do concurso, um renomado músico brasileiro será homenageado por sua contribuição à música brasileira. Neste ano, será a obra de Milton Nascimento – que comemorou 50 anos de carreira, 70 anos de vida e 40 anos do movimento musical mineiro Clube da Esquina.

O concurso é direcionado a estudantes e profissionais da música (músicos, arranjadores e regentes), industriários e comunidade em geral de todo o Brasil, com idade a partir de 18 anos. Para participar, os interessados devem escolher uma composição de Milton Nascimento e criar um novo arranjo instrumental – tendo como base a obra do artista homenageado e os instrumentos que contemplam o formato “Big Band”.

Os candidatos classificados para a final em primeiro, segundo e terceiro lugares receberão os prêmios em dinheiro nos valores de R$ 10 mil, R$ 7 mil e R$ 5 mil, respectivamente. A inscrição pode ser individual ou ter até dois participantes por música.

Na primeira etapa, a avaliação será realizada com base no material enviado pelo candidato. Os 10 melhores arranjos instrumentais serão selecionados para o festival, que acontece de 26 de novembro a 1º de dezembro no Centro de Atividades do SESI Itapetininga. No dia 1º de dezembro, os finalistas terão seus arranjos instrumentais executados por uma big band formada exclusivamente para o projeto, quando serão definidos os três primeiros colocados. Após a apresentação, acontece o show de encerramento com Milton Nascimento e, em seguida, a cerimônia que irá coroar os vencedores.

Todas as atividades são abertas ao público e gratuitas e, além das apresentações musicais, estão programadas ações complementares que abrangem debates, oficinas e workshops.

Clique aqui para mais informações.

*Com informações do site do Sesi

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Prêmio SESC de Literatura – Inscrições Abertas

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Até 30 de setembro você tem tempo para inscrever sua obra literária na edição 2012/2013 do Prêmio SESC de Literatura. Promovido pelo SESC desde 2003, o Prêmio procura por textos inéditos nas categorias CONTO e ROMANCE, abrindo portas do mercado editorial para os autores iniciantes. Os textos vencedores serão publicados pela editora Record, sendo distribuídos em todas as salas de leitura do SESC e do SENAC do país.
Edital em http://www.sesc.com.br/premiosesc/ e inscrições apenas via correios.

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ARTE DIGITAL SERIA E SEUS DESCAMINHOS

A Arte digital é uma realidade presente e pungente, não se restringido somente a criação de imagens por meios eletrônicos ou sua impressão sobre tela ou papeis usando-se impressoras a base de cera ou outras mais modernas... A arte digital tangencia, também, vídeos e instalações presentes na arte conceitual sendo abraçada por tal corrente artística que lhe proporcionou o merecido status de arte.

Minhas primeiras experiências em arte digital foram no período mais selvagem da computação, mesmo antes do advento da internet, quando expus gravuras impressas em impressoras matriciais em 1988; sempre usei ferramentas digitais para a construção de minhas pinturas e esculturas (executadas manualmente), assim como já atuei e engendrei vídeos conceituais de Arte Digital; diante de tal percurso jamais diria que obras feitas nos meios digitais não são arte como incautos poderiam falsamente tentar alegar.

Mas devemos conceituar bem o que seja arte digital, ela não consiste somente em pegar elementos criados por outros artistas, imprimi-los e assinar o nome em baixo como alguns técnicos tentam sugerir... a arte digital ainda exige a punção criativa em sua elaboração não sendo um meio que se agrega a outros para ser efetivada.

Muitos artistas plásticos, particularmente pintores, tem migrado para meios de impressão digital de seus trabalhos, mas quando fazem tal procedimento optam por birôs técnicos sérios nos quais não corram o risco de terem suas obras ou criações roubadas por novos piratas que alegam ser artistas.

Em são Paulo dois tradicionais birôs podem ser encontrados, espaços estes que a décadas técnicos trabalham auxiliando a artistas a executarem suas obras em modalidades de impressão em metal, lito , xilo e que a mais de uma década exploram os aspectos de impressão digital, são eles: Almavera e Ymagos, locais nos quais os artistas tem a exata certeza que sua criação não será roubada por pessoas desqualificadas ou por criaturas que demonstram nada saberem do fazer artístico e apenas dominam de modo precário a técnica e confundem a pirataria que executam sobre a obra de terceiros como sinônimo absoluto de Arte.

Muitos artistas têm optado por comprarem suas próprias impressoras as quais os valores estão em queda vertiginosa e partirem a produzirem suas próprias obras ou de terceiros... Um método fantástico de libertar-se da necessidade de depender de técnicos... Os processos de impressão são bem similares ao usados em nossas impressoras usuais e tal ferramentas vem acompanhada de programas facilitadores quanto a edição e impressão de imagens.

Conselhos aos artistas ao escolherem técnicos sejam muitos criteriosos evitando contratar os que publicamente se vangloriam que se apropriam ou roubam o trabalho criativo de outros artistas.

Ass. Wellington R Costa

Editor do Jornal Virtual das Artes.

http://www.almavera.com.br/ - Almavera a mais de 25 anos atendendo aos artistas trabalhou e trabalha com os maiores e mais famosos artistas brasileiros, possuindo galeria própria de venda na qual obras originais são comercializadas.

http://www.glatt.com.br/ - Rerecentemente atuou na exposição de Burle Marx.

Sites sobre a história da arte Digital:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_digital

http://industrias-culturais.blogspot.com/2004/02/arte-digital-e-ciberntica-histria.html

http://www.slideshare.net/ppgmkt/arte-digital

http://www.dinalivro.com/catalogo/generalidades-historia-da-arte_0701/arte-digital-novos-caminhos-na-arte-inclui-dvd-_04021250.aspx

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Cultura nas eleições

Leonardo Brant tece significativos comentários sobre as eleições e as propostas dos candidatos para a cultura. Avaliando a proposta de Serra atende mais ao aos aspectos do mercado cultural e as politicas que avaliavam que a cultura deva ser tratada como uma potencialização dos aspectos econômicos da Cultura. Marina Silva , em seu enfoque, enaltece a cultura com aspecto de interação de grupos excluídos, Já Dilma, segue o modelo do atual governo enaltecendo o vales cultura, etc.

Com tais dados, aos quais devemos agradecer ao empenho de Leonardo Brant o levantamento, fica mais fácil para a comunidade envolvida nas artes e Cultura saber quais são as proposições que mais se aproximam a seus favores culturais no trato da cultura , facilitando a escolha de um dos candidatos majoritários..

Com tais

Fonte: Cultura e Mercado http://www.culturaemercado.com.br/headline/cultura-nas-eleicoes/

Leonardo Brant | sexta-feira, 6 agosto 201011 Comentários

Dilema do descaso: os candidatos não têm propostas para a cultura por que as pesquisas não apontam cultura como prioridade? Ou as pesquisas não revelam cultura como prioridade por que a mídia não cobre o assunto? Começou a corrida eleitoral e, para variar, a política cultural continua em segundo plano.

Acabo de dar uma fuçada nos sites dos candidatos que participaram ontem do debate promovido pela Rede Bandeirantes e trago um resumo do que vi:

José Serra

O tucano, assim como Marina, abre um espaço no site dedicado exclusivamente ao tema. Mas na hora de abordar a cultura, reforça o pensamento neoliberal, enxergando cultura apenas como ativo econômico. Fala de suas realizações, como a Virada Cultural, programa de fomento à dança e promete diversificar o financiamento. Dedica boa parte do site para explorar o potencial econômico da cultura e se diz “apaixonado por cultura”.

Marina Silva

O site da candidata do PV à presidência traz diretrizes de “cultura e fortalecimento da diversidade“. No geral, traça uma linha de continuidade programática em relação ao governo atual, reforçando a cultura popular, comunidades indígenas, afrodescendentes, combatendo a discriminação e reforçando os direitos culturais. Marina se compromete a aprovar o Plano Nacional de Cultura e o Procultura (projeto que revoga Lei Rouanet). Fala, ainda, em desenvolver um sistema similar ao do CNPQ para avaliação de projetos. A candidata é quem vai mais longe em sua linha propositiva, com questões organizadas e compromissos assumidos.

Dilma Rousseff

No site da candidata petista podemos encontrar inúmeras matérias relacionadas a inaugurações, eventos de lançamento de projetos e programas governamentais, além de material em vídeo produzido pela campanha para discutir o tema com a candidata. Numa dessas entrevistas, ela afirma que o orçamento da cultura chegou a R$ 2,2 bilhões, defende o projeto que revoga a Lei Rouanet, além de ações ainda não implementadas, como o “Vale Cultura” e o “Cinema perto de você”. Não encontrei nenhum documento organizado com diretrizes e ações programáticas concretas. O site abre espaço para a construção do programa.

 

Nada encontrei nos sites dos outros candidatos à presidência.

Projeto de Lei Obriga Exibição de Filmes Nacionais

Aprovado o projeto de lei que obriga a exibição de filmes e audiovisuais de produção nacional nas escolas de ensino básico.

Tal projeto de lei, sem duvida, pode ter alguns problemas simples:

- Audiovisual nacional pode ser qualquer coisa, até mesmo: uma apresentação em PowerPoint com as fotos da viagem de férias que uma pedagoga fez para visitar familiares, apresentação esta na qual o ápice pode ser a fotos dela dançando, em roupas sumarias, “reboleichon” com o primo Gustavão depois de terem bebido todas (quem avaliará a qualidade do que será apresentado?).

- Muitas escolas não possuem cinemas ou aparelhos de áudio visual.

- Quantos filmes educacionais são feitos por ano no Brasil que sejam detentores de enfoques historiográficos, literários, geográficos, etc?

Ponderemos:

Uma aparente fantástica iniciativa que fará que o sistema educacional torne-se cliente cativo obrigado ao consumo de filmes e produtos audiovisuais nacionais , mesmo se tais não forem detentores de critérios educacionais plenos.

Não podemos nos esquecer que em muitas de nossas escolas publicas os estudantes, mesmo sendo aprovados saem como analfabetos funcionais, diante desta realidade , preencher a grade educacional com a apresentação de filmes e audiovisuais sem uma capacitação das pedagogas para o uso pleno dos aspectos educacionais de tais mídias é algo que pode ser encarado um potencial elemento de elevação do analfabetismo funcional.

Este novo projeto de lei quer permite que os professores fiquem passando filmes ao invés de gastarem tempo com coisas supérfluas como ensinar as crianças a Ler, escrever, matemática, ciências, história, geografia, literatura, etc...

Vamos fazer uns cálculos: 8 horas mensais serão usadas no "MINIMO", ou seja em media 64 horas aula por ano serão usadas no "MINIMO" para que os alunos vejam filmes nacionais. Como cada filme em media dura, nos dias de hoje 1:20H teremos dois filmes por sessão, ou seja 8 filmes por mês e em media 64 filmes serão vistos por ano...

Podemos imaginar as pedagogas usando tais filmes de modo educacionais, certamente vão poder ocupar a grade de matérias com mais uma ou duas horas por semana efetivando as indefectíveis dinâmicas de colocarem as crianças para fazerem desenhos sobre o que acabaram de ver.... e com isso mais 64 horas ano serão gastas com coisas valiosas ao invés das vulgares matérias como leitura, literatura, etc...

Muitas leis e boas intenções quando não avaliam a fundo as implicações do que esta sendo pretendido pode efetivamente fazer o efeito contrario do desejado... e isso é preocupante no que concerne a tal projeto de lei em pauta.

Os legisladores estão propondo muitas outras novas leis ou projetos de lei impondo o ensino de filosofia, cultura negra, indígena, diversidade sexual, musica, etc sejam levadas às escolas... são sem duvida iniciativas aparentemente louváveis, mas que não levam em conta a falência que o sistema educacional publico, a incapacidade de muitas “pedagogas” elevarem a termo o que estas propostas determinam... Tais iniciativas estão criando um sistema educacional amorfo que tenta abraçar um amplo universo de temáticas , mas não atendem as básicas de ensinarem sequer as crianças a lerem....

Diante deste cenário filmes e áudio visuais nacionais nas escolas podem ser até mesmo desastrosos no que tange o que realmente deveria ser ensinado.

 

De Wellington R Costa

Pirata é a mãe!

 

O que é pirataria? Quem são os verdadeiros usurpadores do conhecimento alheio? Quem a pirataria beneficia? E quem atinge? Podemos considerar piratas crianças e jovens que compartilham arquivos, se apropriando do conhecimento gerado por nossa civilização? Quem é o autor de uma obra remixada? Existe obra 100% original? Como sobreviverá o artista diante da proliferação da dita “pirataria”? E a indústria cultural, é necessária numa época de compartilhamento de dados pier-to-pier?

O compartilhamento de arquivos e conteúdos culturais é uma realidade da cultura contemporânea, sobretudo com o avanço do acesso às tecnologias de comunicação e informação e à banda larga. A discrepância entre essa nova cultura e as leis que protegem os detentores dos direitos patrimoniais de obras de interesse público torna-se gritante e anacrônica.

A legislação de muitos países – inclusive o Brasil – está em pleno precesso de mudança, com uma certa tendência ao recrudecimento das leis, cerceando as práticas de circulação de conteúdos culturais e a criminalizando o download. No âmbito internacional, presenciamos o surgimento do ACTA, que pode ser traduzido como Acordo Comercial Anti-Falsificação, arquitetado a portas fechadas.

Este assunto é dos mais importantes, não só para as políticas de cultura, mas para qualquer projeto de desenvolvimento, pois confronta diretamente o mercado estabelecido e altamente concentrado, nas mãos de um número muito reduzido de conglomerados de comunicação, que juntos dominam mais de 80% do mercado mundial do imaginário.

De outro lado, fica a dúvida de como artistas, compositores e escritores poderiam se sustentar, sem a garantia do direito de autor, elemento indispensável para o estímulo à criação. Este é o direito cultural mais antigo, presente na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Carta Magna brasileira. Mas será que a dita “pirataria” impõe sérias restrições ao artista em sua luta por sobrevivência?

Na luta contra a concentração de poder das corporações o autor não pode ser deixado de lado. Já vivemos uma espécie de ressaca dos tempos de livre circulação, sobretudo na música. Em um momento de euforia cidadã, muitos compositores, fotógrafos, escritores, liberaram suas obras para livre circulação, mesmo sem saber como iriam sobreviver delas mais tarde. Em alguns casos, essa atitude gerou liberdade, inserção de mercado, possibilidade de circulação e ganhos efetivos em outros nós da cadeia produtiva, como a realização de shows e vendas online. Mas em outros gerou frustração, pois os novos mercados exigem determinadas habilidades que nem todos os autores têm.

O conhecimento por nós produzido deve ser acessível a todos. O acesso a esse conhecimento não pode ser decido por corporações, tampouco financiado por artistas. Faz-se necessária a discussão do papel do Estado e do mercado na defesa desses interesses contraditórios.

São muitas perguntas incômodas a serem respondidas. As respostas dependem de articulação, de vontade política, de pressão. E principalmente de discussão e propostas de caminhos viáveis para uma transição saudável e viável de modelos econômicos.

Longe de estar resolvida, a questão gera uma guerra que envolve diplomacia, um poderoso lobby e interfere diretamente na vida de todos nós que criamos e desejamos fazer circular nossas obras.

Enquanto isso, na sala de justiça: Pirata é a Mãe!

Sobre "Leonardo Brant " http://www.brant.com.br

Pesquisador de políticas culturais. Autor do livro "O Poder da Cultura" e diretor do webdocumentário Ctrl-V::VideoControl. mais

Fonte: Cultura e Mercado

“Viva a Mata” ocorre no Parque Ibirapuera

O “Viva a Mata”, promovido pela SOS Mata Atlântica, ocorre de 21 a 23/05/10, no Parque Ibirapuera, e apresenta atividades culturais, lúdicas e socioeducativas com o objetivo de sensibilizar adultos e crianças para a causa ambiental. O evento, aberto ao público, marca o Ano Internacional da Biodiversidade e comemora o Dia da Mata Atlântica (27 de maio). São apresentados palestras, debates, peças teatrais, exposições fotográficas, entre outras manifestações artísticas. As mostras fotográficas e de vídeos acontecem em estandes temáticos. Uma trupe de 14 pessoas com máscaras de onça, pica-pau, macaco muriqui e jacaré, feitas pelo artista José Toro Moreno, e 10 deles com máscaras de araras, caminha pelo parque no dia 23/05/10, das 10h às 12h30, levando uma faixa com os dizeres “Vocês Invadiram a Mata Atlântica e Agora Vamos Invadir a Cidade”. Inspirada na criação do artista plástico Darci Figueiredo, a intervenção “Os Mensageiros” ocorre em frente ao Shopping Center 3 (Av. Paulista) nos dias 19 e 21/05/10, às 12h e às 13h30, e no Parque Ibirapuera, nos dias 16 e 22/05/10, às 11h e às 13h. Vestidos com figurinos feitos a partir de materiais encontrados no lixo, dois mensageiros atraem o público individualmente a partir de músicas tocadas com gaita e maracá, tendo a natureza como tema.

O império do consumo


O império do consumo    
Questões Ideológicas
Eduardo Galeano  
Dom, 13 de julho de 2008 19:36

A explosão do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais algazarra do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco, aquele que bebe a conta, fica bêbado em dobro. A gandaia aturde e anuvia o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo faz muito barulho, assim como o tambor, porque está vazia; e na hora da verdade, quando o estrondo cessa e acaba a festa, o bêbado acorda, sozinho, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos quebrados que deve pagar. A expansão da demanda se choca com as fronteiras impostas pelo mesmo sistema que a gera. O sistema precisa de mercados cada vez mais abertos e mais amplos tanto quanto os pulmões precisam de ar e, ao mesmo tempo, requer que estejam no chão, como estão, os preços das matérias primas e da força de trabalho humana. O sistema fala em nome de todos, dirige a todos suas imperiosas ordens de consumo, entre todos espalha a febre compradora; mas não tem jeito: para quase todo o mundo esta aventura começa e termina na telinha da TV. A maioria, que contrai dívidas para ter coisas, termina tendo apenas dívidas para pagar suas dívidas que geram novas dívidas, e acaba consumindo fantasias que, às vezes, materializa cometendo delitos. O direito ao desperdício, privilégio de poucos, afirma ser a liberdade de todos.
 
Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem metade dos calmantes, ansiolíticos e demais drogas químicas que são vendidas legalmente no mundo; e mais da metade das drogas proibidas que são vendidas ilegalmente, o que não é uma coisinha à-toa quando se leva em conta que os EUA contam com apenas cinco por cento da população mundial.
 
«Gente infeliz, essa que vive se comparando», lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevidéu. A dor de já não ser, que outrora cantava o tango, deu lugar à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. «Quando não tens nada, pensas que não vales nada», diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires. E outro confirma, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: «Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas, e vivem suando feito loucos para pagar as prestações».
 
Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade, e a uniformidade é que manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todas partes suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora do que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
 
O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde quantidade com qualidade, confunde gordura com boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a «obesidade mórbida» aumentou quase 30% entre a
população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou 40% nos últimos dezesseis anos, segundo pesquisa recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado. O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free, tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar desce do carro só para trabalhar e para assistir televisão. Sentado na frente da telinha, passa quatro horas por dia devorando comida plástica.
 
Vence o lixo fantasiado de comida: essa indústria está conquistando os paladares do mundo e está demolindo as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que vêm de longe, contam, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade e constituem um patrimônio coletivo que, de algum modo, está nos fogões de todos e não apenas na mesa dos ricos. Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão sendo esmagadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida em escala mundial, obra do McDonald´s, do Burger King e de outras fábricas, viola com sucesso o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.
 
A Copa do Mundo de futebol de 1998 confirmou para nós, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola proporciona eterna juventude e que o cardápio do McDonald´s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército do McDonald´s dispara hambúrgueres nas bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O duplo arco dessa M serviu como estandarte, durante a recente conquista dos países do Leste Europeu.
 
As filas na frente do McDonald´s de Moscou, inaugurado em 1990 com bandas e fanfarras, simbolizaram a vitória do Ocidente com tanta eloqüência quanto a queda do Muro de Berlim. Um sinal dos tempos: essa empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. O McDonald´s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama de Macfamília, tentaram sindicalizar-se em um restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas, em 98, outros empregados do McDonald´s, em uma pequena cidade próxima a Vancouver, conseguiram essa conquista, digna do Guinness.
 
As massas consumidoras recebem ordens em um idioma universal: a publicidade conseguiu aquilo que o esperanto quis e não pôde.
 
Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que a televisão transmite. No último quarto de século, os gastos em propaganda dobraram no mundo todo. Graças a isso, as crianças pobres bebem cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite e o tempo de lazer vai se tornando tempo de consumo obrigatório. Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisão, e a televisão está com a palavra. Comprado em prestações, esse animalzinho é uma prova da vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos.
 
Pobres e ricos conhecem, assim, as qualidades dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos ficam sabendo das vantajosas taxas de juros que tal ou qual banco oferece. Os especialistas sabem transformar as mercadorias em mágicos conjuntos contra a solidão. As coisas possuem atributos humanos: acariciam, fazem companhia, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o carro é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.
 
Os buracos no peito são preenchidos enchendo-os de coisas, ou sonhando com fazer isso. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas escolhem você e salvam você do anonimato das multidões. A publicidade não informa sobre o produto que vende, ou faz isso muito raramente. Isso é o que menos importa. Sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias. Comprando este creme de barbear, você quer se transformar em quem?
 
O criminologista Anthony Platt observou que os delitos das ruas não são fruto somente da extrema pobreza. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social pelo sucesso, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Eu sempre ouvi dizer que o dinheiro não trás felicidade; mas qualquer pobre que assista televisão tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro trás algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.
 
Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX marcou o fim de sete mil anos de vida humana centrada na agricultura, desde que apareceram os primeiros cultivos, no final do paleolítico. A população mundial torna-se urbana, os camponeses tornam-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo, e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em todas partes, mas por experiência própria sabem que atende nos grandes centros urbanos.
 
As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os esperadores olham a vida passar, e morrem bocejando; nas cidades, a vida acontece e chama. Amontoados em cortiços, a primeira coisa que os recém chegados descobrem é que o trabalho falta e os braços sobram, que nada é de graça e que os artigos de luxo mais caros são o ar e o silêncio.
 
Enquanto o século XIV nascia, o padre Giordano da Rivalto pronunciou, em Florença, um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam «porque as pessoas sentem gosto em juntar-se». Juntar-se, encontrar-se. Mas, quem encontra com quem? A esperança encontra-se com a realidade? O desejo, encontra-se com o mundo? E as pessoas, encontram-se com as pessoas?Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente encontra-se com as coisas?
 
O mundo inteiro tende a transformar-se em uma grande tela de televisão, na qual as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos.
 
Os terminais de ônibus e as estações de trens, que até pouco tempo atrás eram espaços de encontro entre pessoas, estão se transformando, agora, em espaços de exibição comercial. O shopping center, o centro comercial, vitrine de todas as vitrines, impõe sua presença esmagadora. As multidões concorrem, em peregrinação, a esse templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora é submetida ao bombardeio da oferta incessante e extenuante. A multidão, que sobe e desce pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago; e para ver e ouvir não é preciso pagar passagem. Os turistas vindos das cidades do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas benesses da felicidade moderna, posam para a foto, aos pés das marcas internacionais mais famosas, tal e como antes posavam aos pés da estátua do prócer na praça.
 
Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam até o centro. O tradicional passeio do fim-de-semana até o centro da cidade tende a ser substituído pela excursão até esses centros urbanos. De banho tomado, arrumados e penteados, vestidos com suas melhores galas, os visitantes vêm para uma festa à qual não foram convidados, mas podem olhar tudo. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.
 
A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada à serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o único que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, são tão voláteis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava lá, hoje está aqui, amanhã quem sabe onde, e todo trabalhador é um desempregado em potencial.
 
Paradoxalmente, os shoppings centers, reinos da fugacidade, oferecem a mais bem-sucedida ilusão de segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, além das turbulências da perigosa realidade do mundo.
 
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo? A sociedade de consumo é uma armadilha para pegar bobos.
 
Aqueles que comandam o jogo fazem de conta que não sabem disso, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta. A injustiça social não é um erro por corrigir, nem um defeito por superar: é uma necessidade essencial. Não existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.
 
Tradução: Verso Tradutores
Fonte: Agência Carta Maior / Revista Palco